sexta-feira, 8 de março de 2013

Voadora




                Foi de voadora que ele chegou. Eu havia me metido numa briga que não poderia ganhar. O meu advesário era bem maior que eu, mais velho e havia me encurralado contra uma parede. A briga estava perdida. Só me restava proteger o rosto e tentar amenizar os futuros hematomas, foi quando ele chegou. Meu irmão! Ainda menor que eu, dois anos mais novo e com a coragem que somente os menores e melhores tem. Ele foi de voadora nas costas do meu agressor, uma voadora linda de fazer inveja a qualquer filme de ação, que ele me deu o tempo necessário. Desnecessário dizer que sairmos correndo seria o mais certo, pois mesmo sendo dois ainda assim não éramos páreo para nosso algoz, mas não fizemos isso. Lutamos, perdemos, mas perdemos juntos. Depois disso ficamos ainda mais unidos, várias vezes defendemos um ao outro, foi uma amizade nascida pela necessidade que tínhamos um do outro. Precisávamos disso, pois era isso ou encarar o mundo sozinho. Lembro de outros momentos geniais que aprontamos juntos, quando nos uníamos para acabar com a tirania da irmã mais velha (Você era tirana não negue), ou ainda quando nos apoiávamos para tentar suprimir a ausência de alguém que não deveria ter importância, mas que significava tanto.
                Nesses momentos, que eram os mais doloridos, é que nos uníamos mais, como se nos apoiar fosse só que pudéssemos fazer. Era bem assim, nas tardes em que brincamos juntos nos nosso clube do Homen-Aranha e do Hulk. Em alguns momentos confesso que o invejei, por ser mais querido, mais bonito, mais agradável, mas passou quando percebi que não era inveja o que sentia e sim admiração. Uma admiração sincera e fraterna, daquelas que só podem surgir entre irmãos. Tenho alguns amigos por aí, alguns eu escolhi, outros a vida se encarregou de me mostrar que eram amigos, mas gostei de perceber com o passar do tempo que além de irmãos, éramos amigos.  Foi quando eu percebi, para minha total surpresa que ele também me  admirava, se espelhava em algumas coisas que eu fazia. Tinha em mim um referencial que deveria ter sido outra pessoa. Certas coisas acontecem para nos mostrar como podemos perceber o quão valioso é nascer sem nada e ter tudo. Eu tenho tudo porque sempre o tive, e ele sempre teve à mim. É esse tipo de coisa que alguns não entendem, mas não importa. O que escrevo aqui não é para ele, nem para mim. É só para deixar tranquila a pequena que está por vir. Para avisá-la que se precisar o pai dela chega de voadora.

João Rogério Alencar.

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