Estava pensando um dia desses, refletindo sobre fatos aleatórios, como faço usualmente. Foi quando meu filho bateu palmas, descobriu o som que as palmas faziam quando as mãos tocavam uma à outra com certa força. Encantei-me com aquilo e diante desse fato, imaginei várias coisas relacionadas ao futuro de meu filho, imaginei as primeiras palavras, os primeiros passos, as primeiras respostas e a primeira escola, imaginei ainda toda sua infância e depois sua adolescência. Pensei nos primeiros amores e suas primeiras decepções, á vida adulta e seus labores, sabores e dores. Imaginei na felicidade que ele teria na vida e em tudo o que ele poderia passar. Fiquei aflito com as possibilidades, de como esse mundo louco pode ser cruel. Viajei na mente voando e tentando ver o futuro, as possibilidades, pensando em uma maneira de privá-lo dos amargores do mundo, das possíveis dores. Nesse momento, nesse exato momento, ele bateu palmas de novo e riu olhando para mim e como dissesse: “Eu só bati palmas meu pai. Não quero pensar no futuro, nesse momento só quero bater palmas.” Eu percebi isso, então me sentei ao seu lado e reaprendi a só bater palmas. E o amor eternizou aquele nosso momento. Para sempre me lembrarei, não só quando ele bateu palmas pela primeira vez, mas também porque eu bati palmas com ele pela primeira vez. João Rogério Alencar.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Relevância
Estávamos tendo uma conversa, sobre um assunto delicado. Eu racionalizando tudo, sempre pensando nos prós e contras, admitindo a possibilidade de tudo dar errado. Mostrando o quanto poderia ser perigoso (e por que não inconsequente?) tomar uma decisão baseado apenas em emoções, estávamos nós no meio dessa conversa, uma conversa familiar, uma conversa que definia muito dos nossos próximos anos. Eis que surge alguém que à princípio não queria dar opinião, que não queria falar porque não gosta de telefone ou vídeo conferência (e eu respeito essa opção), mas ele vai e dá sua opinião de uma maneira que eu nunca vi, numa sinceridade tal que abalou todo o meu alicerce de racionalidade, expondo tudo o que sentia sobre o assunto. Fez-me perceber que eu realmente não sei de nada dessa vida (ou sei muito pouco), e mais importante me fez perceber que às vezes a pessoa que não quer se manifestar, não quer falar, é na realidade única que tem algo de relevante a dizer.
João Rogério Alencar.
Chuck
Tenho um amigo, um novo amigo, um amigo bem fiel, tive um parecido quando criança. Mas acho que esse é realmente insuperável. Já fiquei aborrecido com ele algumas vezes, como é comum aos verdadeiros amigos, já briguei com ele, mas isso também é normal. Mas o que mas me encanta nele é a sua capacidade de perdoar, seu sentimento realmente fraterno, quase idólatra que tem por mim. Acredito que ele é sem dúvida tanto um companheiro para aventuras quanto para se sentar ao meu lado e me ver escrevendo. Parece que vai sempre estar aqui.
Onde eu vou me segue, quando corro corre atrás, andando também me persegue, às vezes entende o que eu digo e às vezes finge que não entende, às vezes é louco, às vezes nem tanto. Fidelidade, amizade, companheirismo são sempre adjetivos que o acompanham, que o fazem presente. Suas brincadeiras são bem-vindas, e sua amabilidade também. É parecido com um escudeiro, um pajem, um secretário. Vive atento a tudo que faço, mas também tem seus defeitos, reclama, é ciumento com suas coisas, acho tem uma queda pela minha esposa, aliás acho que prefere a ela do que a mim, mas quem pode culpá-lo? Também é compulsivo com algumas coisas não consegue se conter e corre atrás de seus objetivos, como se nada mais importasse, como se a vida se resumisse aquele momento, aquela corrida, aquele vento batendo em seu rosto, e ele com a língua de fora, me apresenta que o mundo é mesmo bonito, não se importa com as críticas, faz delas novos brinquedos.
Agradeço imensamente pela lição de vida que me proporciona a cada dia, agradeço também a quem me proporcionou tal amizade, agradeço por cada dia que depois do expediente, depois de três horas no transito que venha ao meu encontro com seu rabo abanando, me dizendo: “que felicidade em te ver”.
João Rogério Alencar
Conceitos
Nessa semana calorenta, que já contam 12 dias da bem-aventurança que é o Heitor, me deparei com sentimentos confusos. Sobre como cada um tem sua própria noção de tempo e como cada um reage sobre essa exata noção, estou com uma felicidade enorme no peito, mas tenho sentindo uma saudade antecipada, uma tristeza na partida iminente. Como se tudo o que foi dito até agora, não valesse nada, não nos dissesse mesmo a quê veio. Tive medo do futuro durante muito tempo, agora entretanto, penso nele como deve ser pensado: Impalpável! Não devemos planejar nada, nem o que se sente, pois quando acontece o que se espera você acaba não sentindo aquilo que esperava. Amo muito hoje em dia e odiei muito no passado, mas acabei por perceber que se você conviver muito tempo com o ódio acaba-se por odiar a si mesmo. Hoje só me permito o presente e as lembranças boas e a esperança que aqueles que não respeitam a opinião alheia tenham noção que não respeitam nem a si próprios, num mundo onde tantos estão certos e todos estão errados, o que esperar do futuro? Hoje só quero ver meu filho dormindo, numa paz que só conhecida por bebês. Não acordo mais pensando no futuro, deixo que os outros pensem que são certos, e talvez (esperança incontida) se descubram tolos, como eu fui. Como eu sou. Que vivam para sempre os hipócritas, pois sem eles perdemos a referência do cinismo que está contido em cada um daqueles que professam que a fé errada é a do outro.
João Rogério Alencar.
Meus queridos amigos
Amizade é reflexão, um animo ao coração, uma coisa que explode de felicidade ou sussurra a alegria. Amizade é topar aventuras irrefletidas, inconseqüentes e maravilhosas, é descer na ribanceira é deixar ser puxado por uma corda num carrinho de rolimã, é entrar numa briga contra dez sabendo que vai perder. Amizade é a doçura no olhar, um sorriso de deboche, um ombro para se chorar. É verdade que existem amigos e amigos, amizades duradouras e efêmeras, amizades feitas na fila do ônibus ou que não lembramos como foram feitas, amizades de infância e amigos perdidos pela brutalidade do mundo. Amizade é definida por ela mesma, é ajudar, viver, estar e é amar. Parabéns aos amigos. Os meus e os seus. Quero que vivam para sempre os amigos que me restam, pois viver sem amigos é viver sem sabor.
Responsabilidade.
Depois de muito tempo, pensando e refletindo, descobri o que quero.
Quero responsabilidade, quero que os responsáveis pelos próprios atos apresentem-se, quero que o filho feio tenha um pai, quero que aqueles que julgam sejam também julgados porque não? Quero que assumam tudo e não só as coisas boas que porventura fizeram, quero que não culpem ninguém pelo seu próprio fracasso, quero ver e ouvir dos injustos a verdade de suas vidas e que eles também me escutem, quero ser juiz e réu, já que todos julgam então é direito que sejam julgados. Não existe incoerência na verdade e ela machuca algumas vezes eu sei, mesmo assim é preferível viver tendo exata noção das suas escolhas de vida, do que na ilusão de que nossas ações erradas foram provocadas por outros acasos, por outros que falharam. Quero que me venham e falem: - Eu errei, mas não me culpe, isso eu mesmo faço! Quero ser pleno da certeza de que quando fizerem isso os julgadores e julgados não terão espaço nesse mundo. Quero que assumam quando furarem uma fila, quero saber que aquele que errou tentou consertar, quero que os responsáveis, sejam de fato isso mesmo. Só não quero ser julgado por ter nascido, disso ninguém é culpado. Seja você quem for, seja coerente com seus atos, pois se existe uma virtude (uma só) que deveria ser prezada, talvez essa seja a virtude da justiça. Mas pensem, ela não deveria nem ser virtude e sim uma obrigação. Talvez no meu mundo perfeito e no meu coração exista certa esperança no impossível, de que um mundo justo vai surgir da treva culpada em que ele encontra-se agora submerso. E talvez nesse mundo perfeito eu possa ser desculpado pelo meu erro e possa errar menos. E errando menos, eu possa ser pleno de verdade e nunca magoar com palavras um amor que de tão belo, deveria para sempre ser preservado.
Sou eternamente responsável por tudo que fiz, até mesmo o que fiz sem querer. E você?
Não tenho medo da verdade, tenho medo da injustiça. Mas isso tem cura, ah meus amigos, isso tem cura e nome, chama-se responsabilidade. Mas não sou perfeito, longe disso. Tento, na verdade todo dia ser um pouco menos imperfeito. Para que aqueles que eu amo, estejam certos de que tudo fiz para preservar esse nobre sentimento, sem em nenhum momento cobrar deles a responsabilidade pelos meus atos, que afinal são meus. Tentar ser feliz é bom e não tem contraindicação.
João Rogério Alencar.
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