Estava pensando um dia desses, refletindo sobre fatos aleatórios, como faço usualmente. Foi quando meu filho bateu palmas, descobriu o som que as palmas faziam quando as mãos tocavam uma à outra com certa força. Encantei-me com aquilo e diante desse fato, imaginei várias coisas relacionadas ao futuro de meu filho, imaginei as primeiras palavras, os primeiros passos, as primeiras respostas e a primeira escola, imaginei ainda toda sua infância e depois sua adolescência. Pensei nos primeiros amores e suas primeiras decepções, á vida adulta e seus labores, sabores e dores. Imaginei na felicidade que ele teria na vida e em tudo o que ele poderia passar. Fiquei aflito com as possibilidades, de como esse mundo louco pode ser cruel. Viajei na mente voando e tentando ver o futuro, as possibilidades, pensando em uma maneira de privá-lo dos amargores do mundo, das possíveis dores. Nesse momento, nesse exato momento, ele bateu palmas de novo e riu olhando para mim e como dissesse: “Eu só bati palmas meu pai. Não quero pensar no futuro, nesse momento só quero bater palmas.” Eu percebi isso, então me sentei ao seu lado e reaprendi a só bater palmas. E o amor eternizou aquele nosso momento. Para sempre me lembrarei, não só quando ele bateu palmas pela primeira vez, mas também porque eu bati palmas com ele pela primeira vez. João Rogério Alencar.
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