sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Aquela manhã.

                         Houve Uma vez uma manhã, seria uma manhã comum, um começo de dia normal. Mas havia algo no ar, algo perene, imutável e eu teria passado por essa manhã sem perceber nada anormal, senão fosse o ar. Existia alguma coisa nele que inspirava. Um ar frio numa manhã quente. Um ar que dava uma vontade ainda maior de viver havia algo vivo nele, que deixava suspenso, quase como no mar. Houve uma vez essa manhã e ela trazia esperança no ar, um último afago, uma última palavra de carinho. Deixei-me levar, transportado a revelia de minha vontade, essa manhã que não era (como percebi eventualmente) de fato comum, me levou ao alto e no ar olhei para baixo e me vi criança no corredor da casa de trás, talvez a última casa da inocência. Essa manhã, cujo ar me levava de volta a infância de minha memória, seria curta e limpa, porém seria inesquecível. Houve uma vez uma manhã, mais límpida que outras que me mostrou a clareza que deveria ter em vida. Uma lição que temo, esteja esquecida por muitos. Descobri que essa manhã é algo pessoal, você não deve buscá-la, mas tem que a perceber quando surgir. No ar me vi e entendi que havia um aprendizado nisso, mas qual era a lição? O que eu deveria saber? Vi que o menino que eu era saía, ia em direção ao centro do bairro de minha infância, ia decidido, com um alvo específico (ao que parecia) em mente, caminhei pelas ruas e de repente o menino para numa loja e compra algo. O que eu comprei naquele dia? Não vi que loja era, nem o que foi comprado, mas vi que voltava para casa. Ia com que tinha nas mãos, então de lá de cima vi o que carregava o garoto que fui e sorri e me lembrei desse dia. Atravessou o corredor que dava no quintal da casa e foi em direção à mulher que estava no tanque esfregando roupas. Parou em frente a ela com as mãos para trás e a mulher parou o que fazia e o olhou. Então o eu garoto entregou o que trazia. Era uma flor, uma rosa. Um pequeno e incólume gesto de amor. Algo tão poderoso quanto simples. Então entendi o que aquela manhã dizia quase como um sussurro. A lição pertence a mim, mas o gesto, aquele gesto, ele também é um aprendizado para todos nós. A bondade reside naqueles que a fazem sem perceber e sem perceber mudam o mundo para algo melhor. Minha lição? Ela é minha, como já disse, mas sempre existirão manhãs de lições para aqueles que estão atentos.
                                                                                                                                  João Rogério Alencar

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Retrospectiva do meu ano de 2012, por mim mesmo.

Eita ano complicado!!! Comecei com uma dádiva e terminei com a outra, mas sempre me alegrando e me encantando com a primeira.

 Janeiro: Passou por mim feito um foguete feito de pólvora chinesa e explodiu como se nada houvesse pela frente!

Fevereiro: Heitor nasceu, Joanna viajou. Sinceramente não sei o que me fez ficar mais contente o Heitor por perto ou a Joanna longe. (Ainda estou decidindo). A primeira consulta do Heitor, fomos com uma amiga, no carro dela e foi muito maneiro. Eu dirigi e quase bati no ônibus, mas a culpa foi daquele degenerado do motorista do ônibus! Ah e não lembrei do aniversário da minha esposa, mas eu tenho umas boas desculpas foi no dia da viagem da minha irmã e da primeira consulta do Heitor! (Tá, não são boas desculpas, mas era o que tinha para o dia). Comprei o X box, (Tá eu sei grande porcaria, mas o que você nobre leitor teria haver com isso? Não sei, mas se leu até aqui continua e não me aborrece).

Março: Fomos à segunda consulta do Heitor, na volta um calor tão grande (sério tava mais quente que hoje) que passamos numas concessionárias, decididos a comprar um carro com ar condicionado e vidros elétricos, porque eu achei que ia conseguir eu não sei, compramos um sem vidro e sem ar, porque foi o que deu. E porque eu sou um babaca sem paciência também.

Abril: Dois meses do pequeno e o mês que eu não me lembro muito bem do que fiz, mas sei que ninei o Heitor e joguei videogame, não necessariamente nessa ordem. De certo me lembro que fiquei meio puto com algumas coisas que não me lembro.

Maio: Me lembro desse mês do primeiro sorriso do Heitor para mim. Me lembro também que fiz um mega X-avc e entrei em coma digestivo nas dezesseis horas seguintes.

Junho: Reli o Guia dos Mochileiros da Galáxia. Douglas Adams é simplesmente genial. Joguei o jogo do ano Max Payne 3 (pelo menos eu achava e se quiser saber mais, seu curioso, continue lendo) e comprei uma cama decente depois de dois anos e meio de casado.

 Julho: Como esquecer o Mês de Batman: o cavaleiro das trevas Ressurge? Redescobri o significado de amizade. Heitor completou cinco meses, mas a tempestade se avizinha. Aline, minha digníssima esposa é convidada a se retirar de seu não tão adorados afazeres remunerados (Quer saber mais? Continua lendo ô seu acomodado com imagens e textos curtos).

Agosto: Mês da (desculpem o termo) cagada geral, como quem não quer nada agosto me vem me dá uma rasteira e me deixa sem labor (Não sabe o que é? Tá fazendo o que aqui ainda?) com casa, carro e um quatrilhão de fraldas para pagar/comprar. A faculdade me informa que tenho que concluir meu estágio e as atividades complementares esse ano, senão eu não me formo. Meus pensamentos mais calmos e pacientes foram “Agora ferrou tudo, TUDO!!!!” ou “Quer me ferrar mundo, então me beija” ou ainda “Ah agora que a vaca foi para o brejo, pulo ou não pulo da Rio-Niterói?” e coisas sui generis. Primeiros dois dentes do Heitor a partir deste momento ele morde, pessoal.

Setembro: Mês de férias não planejadas e nem desejadas. Reli, acho que pela sexta vez o Silmarilion, O Hobitt e a trilogia do Senhor dês Anéis e descobri que o ócio pode ser bom afinal. Ah Tolkien é outro gênio inglês. No apagar das luzes desse mês arrumo outro labor (ora e não é que as férias, foram férias mesmo?) Sete meses do meu garoto agora com quatro dentes e engatinhando... Heitor larga o mouse!!!)

Outubro: Adaptação no trabalho, discussões tolas com a cônjuge (ainda está por aqui, você é persistente mesmo, ou então é minha irmã ou a Aline ou a Nanda dando uma moral) e um mês repleto de aniversários. Conheci um pessoal bacana na facul que eu tenho que terminar de qualquer jeito. Foi um mês bom, tirando aquele disco voador que cruzou os céus numa tarde luminosa e depois.. Não sei. Eu acordei.

Novembro: Esse mês foi legal, porque eu fiz uma promessa de escrever mais e estou cumprindo, geralmente meus leitores sabem que meus textos (se você se perguntou que leitores, não gosto mais de você, saia já dessa leitura e vai fazer algo que melhor lhe compete, como sei lá, comer grama) ou são reflexivos ou são só para fazer chorar mesmo. Talvez por isso a necessidade dessa coisa enorme que estou fazendo agora. Ah joguei o outro jogo do ano: Resident Evil 6. Nove meses. Valeu filhão!!

Dezembro: Ah dezembro e o prometido fim do mundo que nunca chega, bem esse mês ainda está correndo, mas dane-se eu conclui o que faltava da minha facul!!! Rá chupa mundo, chupa Maias, chupa bala de hortelã com pimenta. Agora sou oficialmente (ainda não porque não peguei o diploma) Licenciado para lecionar. Queria externar isso com vocês, meus amigos e família. Meu filho fez 10 meses, ou seja está a dois meses de um ano de vida, isso tem que ser comemorado. Recebi algumas notícias indigestas, mas meu saldo esse ano foi positivo, mas nem dá para falar isso, porque o Heitor deixaria todo e qualquer saldo positivo. AH e se você, pessoa que eu não sei quem é ainda está aqui parabéns, perdeu alguns minutos da sua vida, lendo sobre o ano de outra pessoa. Sugiro que antes de criticar, faça o mesmo e escreva sobre seu ano, senão tiver afim então é só não me aborrecer e ficar quietinho porque ninguém te perguntou nada (Não. Eu não tenho problemas com críticas, acho que elas são muito relevantes, mas só gosto quando são positivas, deve ser porque eu sou o cara mais humilde do mundo.). Acabou. Quem eu amo sabe que eu amo. Sem mais. Para de ler seu insaciável, assim você me mata. Ah e não sabe quais foram minhas dádivas no ano? Releia o texto e preste atenção, mas vou dar duas dicas: uma dádiva foi dada e a outra foi conquistada. FELIZ ANO NOVO MEUS AMIGOS.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Belo trabalho

                    Ela ia distante com seus três filhos, caminhava controlando os pequenos (uma menina e dois meninos), que se agitavam pela rua. Lá vai a mãe com suas crianças, nutrindo por elas toda sua esperança e também sua herança. Como chegara ali? Quais foram as conseqüências de seus atos? A filha mais velha lhe segurava a mão, os dois mais novos brincavam mais na frente, com ela os observando, uma família unida ia pela rua. Quem poderia dizer quais foram seus erros e acertos? Ela ia pela vida com o orgulho engolido, mas sabendo que tudo um dia faria sentido. Como viver somente de esperança? Ou de boas lembranças? A menina largou sua mão. Cresceu, viajou e por onde anda ou andou? O do meio também cresceu, viveu e quem sabe amadureceu? O caçula dócil foi o primeiro a ir, não revela o que sente, mas ela sabe o que ele sente e o que ele sente é seu presente. O trabalho estava feito e embora perfeito o imperfeito não se possa dizer, estava terminado no seu peito. Ou não. Houve uma quarta, surgida bem depois, presente do mundo, pequena e frágil e então mais amor ele dedicou e com isso se renovou e ninguém pode julga – lá, por sua vocação para o amor. Lá vai a mãe com seus quatro filhos, para sempre pequenos em seu coração. Lá vai ela para sempre amada e reverenciada. E não importam aqui seus erros. Só importam seus acertos.