- Seja franca
comigo, aonde você quer chegar? – A discussão começara há dias e parecia que
não ia terminar tão cedo.
Estavam
tendo uma discussão irrelevante, sobre nada.
- Chegar?
Não se trata disso, nunca se tratou. – A discussão começara há dias e ela
estava já impaciente com ele. – Quero que me responda e me diga se quer ou não
que isso dê certo, pois parece que não dá à mínima.
Estavam
tendo uma discussão relevante, sobre tudo.
- É claro
que eu quero que dê certo, parece que para você cada palavra ou ato meu contradiz
o que eu sinto por você. Quero que dê certo, claro que quero. – Disse ele.
- Não é o
que parece. – Ela resmungou e depois disse mais alto. – Não é o que parece, para
você tudo está bem, quando é óbvio que não está. Estou tão cansada e você não
percebe e nem liga.
- Está sendo
injusta e infantil. Como posso saber algo se você não diz? Não sou adivinho
para enxergar problemas. Que, aliás, acredito (se é que existem) que não sejam
tão importantes assim. – Devolveu já demonstrando toda sua impaciência com
aquilo.
- E você é
insensível! – Gritou ela em resposta, já sem conter as lágrimas. – Insensível e
imbecil. Chorava copiosamente.
- Está
valendo ofender agora? – Perguntou já um pouco arrependido.
- Você me
ofende, quando desmerece o que sinto. E o que eu considero problemas, podem não
ser para você, mas são para mim. Sou eu que tenho e enxergo esses problemas e
quero que você sejam companheiro e amigo. Mas quando você não é (O que acontece
na maioria das vezes) Me sinto sozinha e triste. – Falou entre lágrimas.
Ele estava
já totalmente arrependido de sua aspereza e apesar de achar aquilo uma
tempestade num copo d’água, não podia deixar de sentir que tinha ido longe
demais. Tentou atenuar a situação e o que tinha dito:
- Desculpe,
não me expressei direito. Eu quis dizer que o que você considera um problema,
eu não considero. Só considero um problema, quando ele realmente me parece um
problema. É instintivo.
- Se eu falo
para você que é um problema, então é para mim. Você pode não considerar, mas é.
- Tudo bem,
me desculpe. Não quero que chore. Reconheço que fui insensível, que não levei
em consideração suas reclamações e problemas, mas acho que você nunca soube
lidar com isso na vida, afinal sempre teremos problemas e uma relação não se
faz só com flores e água doce.
- Eu sei que
não. – respondeu ela, mais calma. – Mas gostaria que fosse assim, só flores e
água doce.
Ele a olhou
nos olhos ainda úmidos e ficou profundamente encantado, como nunca ficara até
ali. E percebeu o quanto gostava dela e o quanto estava disposto a continuar
com ela. Decidido, respondeu:
- Pode não
ser assim, mas podemos nos esforçar. Vou buscar flores. Enquanto isso, que tal
adoçar a água?
Ela sorriu e
a discussão terminou.
João Rogério Alencar.