sexta-feira, 22 de março de 2013

o Casamento da Bruxinha


Existia certa vez uma bruxinha, mas não era dessas bruxas más, nem dessas bruxas modernas que existem em várias histórias. Não. Ela era por definição uma bruxinha, mas não era dessas que enfeitiçam tolos por aí, ela era uma bruxa que cuidava de animais doentes, se especializou para cuidar de todos os bichos que vinham e também ela ia até eles. Vivia em uma casa perto de nada. Vivia lá quieta, mas não sozinha, ela tinha amigos que vinham visitá-la e a queriam muito bem, pois ela era uma benfazeja pessoa, que tentava ajudar a todos. Principalmente os animais, pois esses sempre precisavam de ajuda naquele mundo dominado pelos homens. E como era bela aquela bruxa.
Ela ia e vinha de seu trabalho todo dia. Cansada ficava com o árduo trabalho, mas não reclamava porque, ela sabia, aquela era sua missão. Ia vivendo e sem perceber com o tempo passando mais bela ficou, nada fez para isso, como se a natureza a agradecesse por sua ajuda com os animais. Não se interessava por ninguém, a não ser seus amigos que a ela recorriam para conselhos e risos, jogos e brincadeiras, afagos e bondade. Famosa por seu dom de cuidar de animais ela acabou atraindo a atenção de pretendentes, pretendentes diversos, mas que nada ela queria. Queria viver só, pois era mais fácil se dedicar ao seu labor. Não queria saber de nada além da sua função.
Ela recusava um a um, não queria saber. Com diversos presentes eles a bajulavam para que ela lhes desse a mão. A resposta era sempre a mesma:
- Não! Desculpe-me, mas não posso estar com vocês, pois preciso cuidar do meu trabalho. Não me levem a mal, mais preciso estar aqui. Não posso, nem quero sair com vocês daqui.
Na recusa de um por um, aos poucos os pretendentes foram rareando, até que surgiu um último. Um navegante, vindo do outro lado de um mar esquecido. Esse navegante encantou-se com a bruxa. Fez as mesmas propostas que já haviam feito à bruxinha que novamente recusou, mas sua recusa dessa vez foi feita sem convicção, sem a mesma vontade das outras. A verdade é que também se encantou pelo navegante. Com suas histórias e feitos, aventuras vividas e cantadas que ele declamava a ela. Apaixonada estava, mas não queria estar. Então resolveu fugir, para junto de seus bichos, escondida com seus próprios feitiços, do marinheiro ela se escondeu.
E por um tempo assim viveu escondida recusando a acreditar que estava destinada a viver uma bela história. Entretanto (sempre tem um) a Natureza, sua amiga vendo o erro que era aquela reclusão, ajudou o navegante a encontrá-la. Desfez os nós dos galhos, descerrou o matagal e revelou a ele onde ela vivia. O navegante fez um pacto com a natureza e juntos eles preparam uma surpresa a bela bruxa.
Então numa manhã clara e reluzente a bruxinha acordou, levantou-se e começou a trabalhar.  E nesse começo de dia ela viu uma casa branca onde antes não havia nada, essa casa era feita de troncos de jequitibás, curiosa com aquela aparição ela foi até o lugar, quando chegou, as portas da casa se abriram e lá estavam todos os seus amigos, os animais que havia curado e outros que nunca precisaram, estavam todos ali. Todos. Com as portas abertas ela notou que havia um caminho formado por flores vermelhas e que sua roupa de preta tornou-se branca.
Ela caminhava, pois havia um caminho, e no fim ela viu o navegante esperando por ela e então percebeu que não dava para fugir do que se sente, nenhuma dificuldade, nem aquelas impostas pelas próprias pessoas podem alterar um destino. O navegante a esperava, ele estava num altar, a bruxinha sorriu e alegremente percebeu que ia se casar.

                                                                                                             João Rogério Alencar.

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