Existia certa
vez uma bruxinha, mas não era dessas bruxas más, nem dessas bruxas modernas que
existem em várias histórias. Não. Ela era por definição uma bruxinha, mas não
era dessas que enfeitiçam tolos por aí, ela era uma bruxa que cuidava de
animais doentes, se especializou para cuidar de todos os bichos que vinham e
também ela ia até eles. Vivia em uma casa perto de nada. Vivia lá quieta, mas
não sozinha, ela tinha amigos que vinham visitá-la e a queriam muito bem, pois
ela era uma benfazeja pessoa, que tentava ajudar a todos. Principalmente os
animais, pois esses sempre precisavam de ajuda naquele mundo dominado pelos
homens. E como era bela aquela bruxa.
Ela ia e vinha
de seu trabalho todo dia. Cansada ficava com o árduo trabalho, mas não
reclamava porque, ela sabia, aquela era sua missão. Ia vivendo e sem perceber
com o tempo passando mais bela ficou, nada fez para isso, como se a natureza a agradecesse
por sua ajuda com os animais. Não se interessava por ninguém, a não ser seus
amigos que a ela recorriam para conselhos e risos, jogos e brincadeiras, afagos
e bondade. Famosa por seu dom de cuidar de animais ela acabou atraindo a
atenção de pretendentes, pretendentes diversos, mas que nada ela queria. Queria
viver só, pois era mais fácil se dedicar ao seu labor. Não queria saber de nada
além da sua função.
Ela recusava
um a um, não queria saber. Com diversos presentes eles a bajulavam para que ela
lhes desse a mão. A resposta era sempre a mesma:
- Não! Desculpe-me,
mas não posso estar com vocês, pois preciso cuidar do meu trabalho. Não me
levem a mal, mais preciso estar aqui. Não posso, nem quero sair com vocês
daqui.
Na recusa de
um por um, aos poucos os pretendentes foram rareando, até que surgiu um último.
Um navegante, vindo do outro lado de um mar esquecido. Esse navegante
encantou-se com a bruxa. Fez as mesmas propostas que já haviam feito à bruxinha
que novamente recusou, mas sua recusa dessa vez foi feita sem convicção, sem a
mesma vontade das outras. A verdade é que também se encantou pelo navegante. Com
suas histórias e feitos, aventuras vividas e cantadas que ele declamava a ela. Apaixonada
estava, mas não queria estar. Então resolveu fugir, para junto de seus bichos,
escondida com seus próprios feitiços, do marinheiro ela se escondeu.
E por um tempo
assim viveu escondida recusando a acreditar que estava destinada a viver uma
bela história. Entretanto (sempre tem um) a Natureza, sua amiga vendo o erro
que era aquela reclusão, ajudou o navegante a encontrá-la. Desfez os nós dos
galhos, descerrou o matagal e revelou a ele onde ela vivia. O navegante fez um
pacto com a natureza e juntos eles preparam uma surpresa a bela bruxa.
Então numa
manhã clara e reluzente a bruxinha acordou, levantou-se e começou a trabalhar. E nesse começo de dia ela viu uma casa branca
onde antes não havia nada, essa casa era feita de troncos de jequitibás,
curiosa com aquela aparição ela foi até o lugar, quando chegou, as portas da
casa se abriram e lá estavam todos os seus amigos, os animais que havia curado
e outros que nunca precisaram, estavam todos ali. Todos. Com as portas abertas
ela notou que havia um caminho formado por flores vermelhas e que sua roupa de
preta tornou-se branca.
Ela caminhava,
pois havia um caminho, e no fim ela viu o navegante esperando por ela e então
percebeu que não dava para fugir do que se sente, nenhuma dificuldade, nem
aquelas impostas pelas próprias pessoas podem alterar um destino. O navegante a
esperava, ele estava num altar, a bruxinha sorriu e alegremente percebeu que ia
se casar.
João Rogério Alencar.
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