Gosto desse mês. Pergunto-me o porquê,
se é algo relacionado ao ego, relacionado ao fato de eu ter nascido nesse mês?
Não acredito nisso, pois nunca me importei muito com aniversários e coisas do
tipo. Não partilho da importância que outros têm em relação a isso, não
acredito em sua relevância a não ser para nos lembrar do eventual fim. Esclarecido
isso, posso dizer sem dúvida alguma que sou um chato, mas isso eu já sabia,
como bem sabem os que me acompanham pelo curso da vida. Não, não sou um
entusiasta do mês por aniversariar nele, disso tenho certeza. No entanto, gosto
dele particularmente mais do que dos outros onze, tenho por ele certa admiração.
Estar nele, sendo os meses nada mais que um espaço de tempo criado pelo homem
para sabermos que a lua deu a volta ao redor da Terra, me faz bem.
Há de se pensar na causa disso.
Alguns escolhem outras partes da vida para recarregar suas baterias de alma,
algo como abraços e cafunés, conselhos ou até mesmo o saciar de algum desejo.
Outros escolhem uma nova tarefa, um novo desafio, uma nova fase. Eu escolhi o
mês de Outubro para isso. Para recarregar a alma. Achava que tinha escolhido
aleatoriamente, pois sempre pensei nele e nunca em outro para estar bem.
Sobretudo num ano mais difícil, onde tantos julgamentos e reprovações ocorreram,
onde alguns amigos não foram tão amigos, ou por não concordarem com certos
atos, ou porque não tiveram tempo para tanto, ou ainda em último caso, por não
se importarem. Acho que minha passagem de ano ocorre aqui e não em dezembro,
minha passagem de ano acontece aqui, onde me vejo só, tal qual quando eu nasci.
Onde eu reavalio as condições sobre as quais eu tomei decisões e se elas foram
ou não acertadas. Onde reavalio (porque não?) amizades e afetos. Sou e sempre
serei resultado das minhas escolhas, mas sempre que posso as revejo e reavalio.
O mês me faz melhor e eu não sei por quê. Achava (como já disse) ter escolhido aleatoriamente
e acreditando nisso deixei de me importar nos porquês. Mas sempre têm um “porque”
e eu só não descobri ainda.
Quem sabe o mês não me faz bem só por
ser ele? Ou por que alguns grandes amigos também se encontram nele para
celebrar (da forma que mais os agradarem) seus próprios aniversários? Ou ainda
um irmão que também nascido nesse mês me faça um bem enorme só por existir?
Não, eu não sei. Só sei que Outubro me faz bem como um abraço de uma mãe
amorosa, como um sorriso alegre do meu pequeno, como uma aurora depois de uma
noite infindável. Faz-me bem como amigos que, distantes, de repente aparecem
para renovar os votos de amizade, como um conselho fraterno proferido através
do Atlântico. Faz-me bem como uma lembrança agridoce de um bolo feito com água
ao invés de leite.
Faz-me bem e isso é tudo. Por isso o
reverencio, pois boas coisas merecem reverência.
João Rogério Alencar.
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