Tinha tanta
coisa para escrever aqui. Começo de mês,
meio de ano, mas as palavras se perderam essa semana. Tinha tanto para falar,
talvez revelar. Coisas perdidas no meio de tudo, coisas achadas no meio de
nada. Tinha tanto para expressar, reviver, e conviver. Tinha o que dizer, mas
perdi a fala na primeira frase. As inspirações eram muitas e, no entanto
nenhuma me encorajou a sentar e escrever, então me restou escrever sobre não
escrever. O que por si só já um paradoxo, mas eu gosto de paradoxos porque são
tão reais nos dias atuais. No mês que se inicia o meio do ano, tenho uma
maneira menos otimista (mais realista, ou seria relativista?) de encarar as
coisas e os fatos da vida e isso reflete talvez a minha atual inépcia em
escrever. Certa preguiça ensejada por mim mesmo, meio que encorajada a ficar
por aqui e me impedir de escrever, pois não posso negar que existe inspiração
até em insetos. E se isso não for suficiente, tenho aqueles tipos de reflexões
em como andam as coisas, os progressos na vida, se ela vai em frente ou estagna
de vez. Esse tipo de coisa dá o que pensar, e consequentemente no que escrever.
Não
reclamo, pelo menos na maioria das vezes. Eu tinha muita inspiração e há mais ou
menos dois meses atrás ela se foi. Mesmo assim continuo escrevendo, porque
acredito que quanto mais escrevo vou ficando de ruim para (porque não) mediano
e isso impulsiona outros projetos. Essa inspiração não vai voltar, mas procuro
outras. Sei que elas estão por aí. Num comentário reflexivo sobre vida entre dois
estranhos, num gesto de euforia de uma criança descobrindo seu reflexo num
espelho, numa reclamação do quanto é caro viver nesse lugar. E num suposto
amigo desacreditando a capacidade de alguém, provando sua própria mediocridade
em comentar somente sobre o alheio, numa prova que a vida tem sua parcela de
inveja e de incapacidade, sobretudo dessa última.
Não reclamo,
porque quero essas provas e essas inspirações, quero tirar o que puder delas,
verbalizar as coisas com sentidos que supostamente refletem parte daquilo que
senti na hora que me veio. Quero olhar as coisas fora dos tons preto e branco,
quero diminuir a quantidade de café ingerido. Quero ter mais paciência, com as
pessoas ao meu redor, com as falácias dos covardes, com os egocêntricos ao
extremo. Que tomem decisões e as cumpram, mas eu espero dos outros, o que
espero de mim e isso é egocêntrico também. Só não quero mais a inspiração que
se foi e quero que de fato se vá. Que desabite a minha mente, que pare de
povoar os pensamentos de “e se”. Isso é essencial para que as ideias voltem a florescer
sem sombra do que se perdeu. A capacidade de me enganar já foi mais forte em
mim, assim como a minha imaginação, mas uma não é inerente à outra, quero
acreditar que não sejam. Os motivos torpes que movem o ego não me interessam
mais. Engraçado perceber que no fim a inspiração veio como desabafo. De uma
comicidade cruel. Não seriam todas as piadas de certa maneira cruéis com
alguém?
“Só se percebermos
a quem foi direcionada” eu penso a resposta.
Não reclamo. A
inspiração que se foi fez o mal que tinha que fazer (tentando fazer o bem? Não sei!
Essa será para sempre minha dúvida.) e foi-se tarde, eu diria. Termino rindo,
pois as boas piadas sempre terminam com risadas, nem sempre felizes, mas
risadas mesmo assim.
João
Rogério Alencar.
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