quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pontos.



               
Existem certas imposições nos dias de hoje que assustam uma pessoa um pouco menos atenta. Imposições,(para deixar bem claro) ideológicas, que põem aqueles que não partilham de um ou outro ideal como uma espécie de inimigo dos outros que seguem tais posições, ora existe uma espécie de conceito prévio sistemático, seja religioso ou não. Isso é perigoso porque historicamente quando isso ocorre geralmente culmina num ódio irracional fomentado pela não aceitação de opiniões divergentes. Preocupa-me ver as imposições de “verdades” ditas como certas, mas quem ou o que fundamenta essas “verdades?” A própria posição daqueles que impõe sua fé é cínica, pois existe uma condenação prévia e velada para aqueles que não a seguem, um cinismo típico dos intolerantes, pois não existe saída para os que preferem, passar pelo mundo sem esperar salvação num futuro distante ou esperar a felicidade plena num outro plano. Para esses só existe a condenação.

                Não sou antirreligioso e nem contra a fé, inclusive acho a fé, pura e simples, uma das coisas mais belas que existe. O problema (para mim) consiste na imposição de conceitos. Esperam que eu engula esse pão goela abaixo , que aceite um suposto erro na maneira como vejo o mundo, como se eu estive obrigado a não ter opiniões próprias, como se ainda vivêssemos num lugar em que a compreensão da terra é plana. Tenho escutado muitos absurdos ultimamente. Absurdos pautados pela intransigência com o outro, que demonstra inclusive uma predisposição ao ódio sobre aqueles que não estão vivendo de acordo com uma regra, ou com “suas regras específicas”. Não vivo hipocritamente, não é justo viver assim, não existe justiça certa nisso. Não que discutir religião ou ideais aqui. Primeiro porque é improdutivo e segundo porque é difícil encontrar quem quer que seja que discuta esse assunto sem uma paixão cega pela “própria verdade”. Conheço nos dedos de uma mão alguns que valeria a pena conversar sobre isso. Não tenho nada contra religião, opções, ideais que não sejam os meus. Não tenho mesmo. Só incomoda a vontade que alguns têm de fazer valer suas posições, pela força, pelo grito. É isso, não quero discutir, mas a verdade é que eu quero que vivam para sempre aqueles que se acham donos da verdade, pois sem eles  perdemos a referência do cinismo de quem afirma que a fé errada é a do outro.

                Não quero criar nenhuma polêmica, só quero que alguns deixem de ser ignorantes no que diz respeito ao outro, pois é isso que está faltando. Respeito. Se não puderem ter consciência disso é melhor que abandonem, o suposto posto de conhecedores da verdade. Não existe verdade inconteste, bem como existem mentiras que jamais serão esclarecidas e passarão pelo tempo incólumes. Eu acredito que a postura deva mudar, como disse uma amiga: “Ah João somos novos como civilização, ainda vamos aprender”. Quero acreditar nisso, na vontade de compreender que todos nós podemos ter uma visão particular do mundo.Tenho fé. Não existe incoerência nisso. Ter fé é acreditar, acredite então, mas não julgue, não compete (como bem sabem e pregam) a vocês isso.

                João Rogério Alencar

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