Existem certas
imposições nos dias de hoje que assustam uma pessoa um pouco menos atenta. Imposições,(para
deixar bem claro) ideológicas, que põem aqueles que não partilham de um ou
outro ideal como uma espécie de inimigo dos outros que seguem tais posições,
ora existe uma espécie de conceito prévio sistemático, seja religioso ou não.
Isso é perigoso porque historicamente quando isso ocorre geralmente culmina num
ódio irracional fomentado pela não aceitação de opiniões divergentes. Preocupa-me
ver as imposições de “verdades” ditas como certas, mas quem ou o que fundamenta
essas “verdades?” A própria posição daqueles que impõe sua fé é cínica, pois
existe uma condenação prévia e velada para aqueles que não a seguem, um cinismo
típico dos intolerantes, pois não existe saída para os que preferem, passar
pelo mundo sem esperar salvação num futuro distante ou esperar a felicidade
plena num outro plano. Para esses só existe a condenação.
Não
sou antirreligioso e nem contra a fé, inclusive acho a fé, pura e simples, uma
das coisas mais belas que existe. O problema (para mim) consiste na imposição
de conceitos. Esperam que eu engula esse pão goela abaixo , que aceite um
suposto erro na maneira como vejo o mundo, como se eu estive obrigado a não ter
opiniões próprias, como se ainda vivêssemos num lugar em que a compreensão da
terra é plana. Tenho escutado muitos absurdos ultimamente. Absurdos pautados
pela intransigência com o outro, que demonstra inclusive uma predisposição ao
ódio sobre aqueles que não estão vivendo de acordo com uma regra, ou com “suas
regras específicas”. Não vivo hipocritamente, não é justo viver assim, não
existe justiça certa nisso. Não que discutir religião ou ideais aqui. Primeiro
porque é improdutivo e segundo porque é difícil encontrar quem quer que seja
que discuta esse assunto sem uma paixão cega pela “própria verdade”. Conheço
nos dedos de uma mão alguns que valeria a pena conversar sobre isso. Não tenho
nada contra religião, opções, ideais que não sejam os meus. Não tenho mesmo. Só
incomoda a vontade que alguns têm de fazer valer suas posições, pela força,
pelo grito. É isso, não quero discutir, mas a verdade é que eu quero que vivam
para sempre aqueles que se acham donos da verdade, pois sem eles perdemos a referência do cinismo de quem
afirma que a fé errada é a do outro.
Não
quero criar nenhuma polêmica, só quero que alguns deixem de ser ignorantes no
que diz respeito ao outro, pois é isso que está faltando. Respeito. Se não
puderem ter consciência disso é melhor que abandonem, o suposto posto de
conhecedores da verdade. Não existe verdade inconteste, bem como existem
mentiras que jamais serão esclarecidas e passarão pelo tempo incólumes. Eu
acredito que a postura deva mudar, como disse uma amiga: “Ah João somos novos
como civilização, ainda vamos aprender”. Quero acreditar nisso, na vontade de
compreender que todos nós podemos ter uma visão particular do mundo.Tenho fé. Não
existe incoerência nisso. Ter fé é acreditar, acredite então, mas não julgue,
não compete (como bem sabem e pregam) a vocês isso.
João Rogério Alencar
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