Outono enfim, gosto do outono de uma maneira bem particular, me remete muitas vezes ao passado, não sei se o vento, se o ar ou o clima um pouco mais ameno (um pouco, afinal estou no Rio de Janeiro) me fazem ter esse sentimento ou se é só pura nostalgia mesmo. Gosto do outono por causa da sensação de liberdade que ele traz, de recomeço, gosto porque de todas as estações é a menos badalada, a menos comentada como se fosse a menos importante.
Na verdade é uma estação entre estações, mesmo assim me diz muito sobre como nasce o sol, como se fecha o dia. Seria o outono uma espécie de intervalo anual do Universo? Seria uma maneira distinta de se desligar de tudo? Seria somente uma estação entre estações? Não sei, só sei do que sinto no outono: paz misturada com vento no rosto. Uma sensação entre sensações, como uma resposta as minhas súplicas, como uma prece bem feita eu sinto que no outono me sinto mais perto de Deus, como uma fonte que jorra só durante alguns meses, como uma forma velada de o Universo se mostrar não como algo amplo de magnitude incalculável, mas como algo pequeno e precioso dentro de mim. Existe alguma coisa no outono algo indescritível, algo que talvez somente poucos possam saber. Acredito ser essa a particularidade de cada um: Encontrar-se nas estações entre estações, nos sentimentos entre sentimentos. Vivo pensando onde está à origem do meu sentimento por essa estação, geralmente me perco nas lembranças do passado, ou projetando o futuro, nunca no presente. Então andando pela rua eu vi, folhas caindo, efêmeras como tudo na vida. E elas me dizem: “viva o presente, pois não se vive o ontem menos ainda o amanhã.” Gosto do outono e já sei por quê. Faz meu coração bater mais alto, me dizendo tum, tum, tum
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