segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Manhã de Segunda


                Acordei numa segunda feira, pronto para ter o meu mau humor habitual. Ainda de olhos fechados pensava no porquê de existir segundas, só para o desprazer de ter que levantar e enfrentar o começo da semana. Semana que começou no dia anterior, diga-se de passagem, mas a segunda nos faz esquecer isso. Os problemas retornam com força numa mente ainda fechada para a luz do dia, todos os pensamentos voltados para as possíveis soluções, os pagamentos a serem feitos, as situações difíceis do dia a dia aparecem com mais força, tudo parece mais pesado, mais cinza, menos alegre numa manhã de segunda. Sem me esforçar resolvo continuar mais um pouco na cama, o que é esperado de mim pode esperar mais um pouco. Não quero ver nem resolver nada hoje, decido.

                Ainda negando que devo levantar-me e ir à luta, continuo com os olhos fechados, esperando o tempo me dar mais uma folga e que as cobranças auto impostas desapareçam aos poucos. Sei que não vão, mas espero mais um pouco, tentando sonhar em coisas mais agradáveis e melhores. Nada me vem à mente e espero um dia menos agradável do que eu queria, não tem jeito nada é como nós queremos numa manhã de segunda.
                Ouço um barulho e meu filho acordado está na minha cama. Para todos os efeitos eu continuo dormindo. Ele vem ao meu lado, ouço o sua risada pura, ele se deita e me abraça. Ele ainda está rindo quando eu abro os olhos e nunca um sorriso com tão poucos dentes foi mais bonito. Nessas horas tudo se apaga e cada problema se desfaz num simples gesto. Levanto já sabendo que nada poderia me aborrecer, pois a simpatia na sua forma mais inocente me mostrou isso.

 Nunca uma manhã de segunda foi mais leve.


João Rogério Alencar.

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