Acordei
numa segunda feira, pronto para ter o meu mau humor habitual. Ainda de olhos
fechados pensava no porquê de existir segundas, só para o desprazer de ter que
levantar e enfrentar o começo da semana. Semana que começou no dia anterior,
diga-se de passagem, mas a segunda nos faz esquecer isso. Os problemas retornam
com força numa mente ainda fechada para a luz do dia, todos os pensamentos
voltados para as possíveis soluções, os pagamentos a serem feitos, as situações
difíceis do dia a dia aparecem com mais força, tudo parece mais pesado, mais
cinza, menos alegre numa manhã de segunda. Sem me esforçar resolvo continuar
mais um pouco na cama, o que é esperado de mim pode esperar mais um pouco. Não
quero ver nem resolver nada hoje, decido.
Ainda
negando que devo levantar-me e ir à luta, continuo com os olhos fechados,
esperando o tempo me dar mais uma folga e que as cobranças auto impostas
desapareçam aos poucos. Sei que não vão, mas espero mais um pouco, tentando
sonhar em coisas mais agradáveis e melhores. Nada me vem à mente e espero um
dia menos agradável do que eu queria, não tem jeito nada é como nós queremos
numa manhã de segunda.
Ouço
um barulho e meu filho acordado está na minha cama. Para todos os efeitos eu
continuo dormindo. Ele vem ao meu lado, ouço o sua risada pura, ele se deita e
me abraça. Ele ainda está rindo quando eu abro os olhos e nunca um sorriso com
tão poucos dentes foi mais bonito. Nessas horas tudo se apaga e cada problema
se desfaz num simples gesto. Levanto já sabendo que nada
poderia me aborrecer, pois a simpatia na sua forma mais inocente me mostrou isso.
Nunca uma manhã de segunda foi mais leve.
João
Rogério Alencar.
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